Estávamos todos sentados na mesa do restaurante. Dois homens entraram vestidos de paletó e gravata, chegaram bem perto de mim, um deles se abaixou à altura do meu ouvido, me mostrou o distintivo e sussurrando me mandou segui-los, quando meus amigos viram a cena, saíram logo atrás sem pagar, uma saída à francesa. Grandes amigos espertalhões eu tenho, pensei. Até tentei segui-los pra me safar dos guarda-roupas. Mas não, eu não pude, os dois macacos engravatados me seguraram pelo braço e falaram pra eu entrar numa portinha. Ao me jogarem num lugar escuro que deveria ser algum deposito ao lado do pequeno restaurante levei logo um soco na cara sem saber nem por que estava ali e muito menos por que estava apanhado. Comecei a gritar e me mandaram calar a boca. Gritei mais. Aí me fizeram calar a boca. E foi com um soco do outro lado da cara. Minha cabeça toda doía. Um deles, branco e baixo acendeu um cigarro, olhou no relógio de pulso e baforou a fumaça bem na minha cara, não agüentei e voltei a protestar:
-Meu advogado fará exame de corpo e delito, vocês serão presos por tortura!
O outro, preto e muito grande começou a rir:
-Nós do FBI não torturamos. E me deu um soco na barriga para completar sua ironia. Caí no chão gemendo:
-Porra, os próprios agentes da lei cometendo crimes! Vocês não deveriam estar se algemando para combaterem o mal? Afinal, o que vocês querem comigo seus cachorros?
-Cala a boca patricinha, se não quiser levar um pontapé nessa sua bunda gostosa, ninguém ta aqui pra combater o mal não, a nossa história contigo é outra.
-Aaaaaah, mas vocês vão se dar mal, vocês não sabem quem é meu pai e o que ele é capaz de fazer.
-Hmm, tenho certeza que sabemos quem é exatamente seu papai. É por isso mesmo que você esta aqui princesa. Você é a nossa garantia que ele será capaz de fazer. Fica quietinha na sua se não quiser estragar mais ainda essa sua cara de boneca.
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